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  • Foto do escritorKAREN BRITTO

Uma das maiores dúvidas do consultório: O LIPEDEMA

Atualizado: 29 de mai.

Hoje, abordaremos uma condição clínica que vem povoando o consultório da cirurgia vascular, uma doença que pode ser única, mas, geralmente está acompanhada de um quadro multifatorial, estamos falando do LIPEDEMA


O lipedema é uma doença nova, uma garotinha no nosso escopo de cuidados e evidências de tratamento. Um grande exemplo disso é uma matéria veiculada pelo governo do estado de São Paulo, pela secretaria de saúde em que diz "apenas em 2022, mesmo ano em que foi reconhecida como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição vascular crônica que atinge cerca de 12,3% das mulheres no Brasil foi a causa de 245 procedimentos cirúrgicos. Apesar de ser tão comum, o lipedema ainda é pouco diagnosticado."


Ou seja, além de uma doença nova, temos uma doença altamente prevalente, que impacta na nossa qualidade de vida e como conseguimos nos encaixar como sociedade.


Doença essa que foi por muitos anos apenas negligenciada com o famoso “você está gordo, precisa perder peso”- mas, na verdade, esse paciente precisava e precisa de um diagnóstico adequado, assim como um bom acompanhamento médico, fisioterapêutico, terapeuta ocupacional, nutricionista, educador físico e até medidas cirúrgicas em casos mais necessários.



Vamos falar um pouco mais sobre esse tal de lipedema, o que já entendemos sobre ele e como podemos ajudar nossos pacientes nessa caminhada – pois é pra isso que estamos aqui: estar com você em todo o processo, desde o início até a vitória/manutenção – já que vamos explicar lá na frente que é uma doença crônica e necessita manutenção.


Segundo o canal de noticias CNN brasil: “Em 2022, 9% dessa população tinha índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 30 kg/cm², o que configura obesidade. Já em 2023, esse percentual subiu para 17,1%. Atualmente, mais da metade da população brasileira (56,8%) está com excesso de peso, uma soma de pessoas com sobrepeso e com obesidade.” A partir desde dado, simples e direto, entendemos que o que vem por aí não é algo isolado e sem uma causa de fundo. O lipedema é caracterizado pelo aumento bilateral das pernas e/ou braços devido à deposição anormal de tecido adiposo


O lipoedema parece ser uma entidade clínica distinta, melhor classificada como lipodistrofia, e não como consequência direta de qualquer insuficiência venosa ou linfática primária. Assim como é caracterizado pelo aumento bilateral das pernas e/ou braços devido à deposição anormal de tecido adiposo, que acumula líquido.


Agora que entendemos que o lipedema é sim um depósito de gordura que não deveria estar acontecendo ali, compreendemos também como ocorre esse acúmulo adiposo incorreto e porque ela se forma. Abaixo, demonstração da gordura do lipedema, perceba a diferença entre ela e uma gordura de deposição normal no nosso organismo.


A partir do entendimento da diferença da característica desse depósito de gordura vamos falar diretamente de tratamento:

Infelizmente por ser uma doença ainda muito subdiagnosticada e relacionada com a obesidade, ainda carecemos de mais estudos e comprovações da melhor forma de tratar.


Em um estudo com 29 pacientes - em um grupo de pacientes com lipedema (LIPPY) e um grupo controle (CTRL) após quatro semanas de dieta mediterrânea modificada (mMeD): ainda em resultados preliminares, necessitando mais estudos e mais grupos: LIPPY apresentou diminuição da FM (acúmulo de gordura em áreas específicas) em membros superiores e inferiores. Não foram observadas diferenças significativas em Δ% entre os grupos para a massa magra (MM). No LIPPY foi observado aumento na capacidade dos pacientes de realizar diversas atividades físicas diárias relacionadas à perda de gordura nos braços e pernas. De acordo com a escala Europeia de Qualidade de Vida, destaca-se a possibilidade de os sujeitos LIPPY realizarem atividades diárias simples com menos fadiga, dor e ansiedade.


Hoje, o que nós mais buscamos nos pacientes com lipedema é satisfação com seu corpo, não apenas estética, mas principalmente funcional.

Não queremos permitir que por falta de de diagnóstico mais e mais pacientes cheguem a estados de alterações físicas que limitem suas qualidades de vida





REFERÊNCIAS:

  1. http://www.saude.sp.gov.br/ses/perfil/cidadao/homepage/destaques/secretaria-da-saude-destaca-mes-de-conscientizacao-sobre-o-lipedema#:~:text=Em%202022%2C%20mesmo%20ano%20em,lipedema%20ainda%20é%20pouco%20diagnosticado.

  2. https://www.cnnbrasil.com.br/saude/obesidade-entre-jovens-de-18-e-24-anos-cresce-no-brasil-aponta-levantamento/#:~:text=Atualmente%2C%20mais%20da%20metade%20da,com%2018%20a%2024%20anos.

  3. Harwood CA, Bull RH, Evans J, Mortimer PS. Lymphatic and venous function in lipoedema. Br J Dermatol. 1996 Jan;134(1):1-6. PMID: 8745878.

  4. Kröger K. Lymphoedema and lipoedema of the extremities. Vasa. 2008 Feb;37(1):39-51. doi: 10.1024/0301-1526.37.1.39. PMID: 18512541.


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